Aqui, cliente agenda horário pela internet

Cabeleireiro sonha em batizar uma rede com seu nome: Lúcio Hair Stillus


O aplicativo está em fase de teste, mas quem quiser cortar o cabelo com Lúcio, dono do Lúcio Hair Stilus, localizado na Comunidade Erundina, Zona Sul de São Paulo, pode até marcar o horário pelo sistema on-line.

O cabeleireiro, que começou na profissão aos 13 anos, diz que o agendamento virtual do salão é ainda um pouco burocrático, mas não deixa de ser uma facilidade para os clientes, que já passam de 600.

Carlúcio Ferreira Araújo, 28 anos, o Lúcio, começou na profissão quase que por acaso. Era ele quem cuidava do salão que atendia os vizinhos em Januária, Minas Gerais, onde morava com a família. Mas quem cortava cabelos era o irmão dele.

Tempos atrás, um dia um dos vizinhos chegou à casa dos Ferreira Araújo para fazer um corte. O irmão de Lúcio não estava. Ele mesmo resolveu encarar o desafio e fazer o serviço. O menino gostou. Outros vizinhos vieram e também aprovaram a técnica do Lúcio.

“Meti as caras e a clientela foi aumentando”. Aos 16 anos, Lúcio conseguiu economizar R$ 500 e foi com esse dinheiro que ele resolveu vir para São Paulo, para fazer cursos para aprender técnicas de cortes de cabelo.

Aproveitou o convite para morar na casa de um primo, na comunidade Erundina, e lá foi conquistando novos clientes. Durante nove anos, foi empregado de um salão, que hoje é seu.

“Na verdade, durante muito tempo, eu mais varria salão do que cortava cabelo. Queria sempre inovar, investir, oferecer serviços novos para os clientes. Quando vi que as minhas ideias não batiam com as da pessoa para quem eu trabalhava, senti que era a hora de investir no meu próprio negócio”.

Isso aconteceu em 2010. Lúcio comprou uma garagem abandonada e a transformou em pequeno salão de beleza. No primeiro dia de trabalho, já ficou surpreso com o sucesso, conseguiu atender 25 clientes.

O negócio deu tão certo que ele teve de até de contratar outros profissionais para ajudá-lo. “Foi a partir daí que eu vi que o meu caminho era esse.”

Da antiga garagem abandonada, Lúcio é dono hoje de um salão em uma rua mais movimentada, ainda no Jardim Ibirapuera. Atende cerca de 25 a 30 clientes por dia, especialmente para serviços de corte de cabelo e limpeza de sobrancelha.

O ritmo de trabalho é o mesmo do dia da inauguração do seu antigo salão, que ainda funciona, com profissionais selecionados por ele.

“No setor de beleza não tem crise”, diz ele, que já mora em casa própria. O sonho do cabeleireiro agora é criar a rede de salões Lúcio Hair Stilus, por meio de franquia.

“E o que me deixa mais feliz nesta profissão que escolhi é que eu estou crescendo e já ajudei outros profissionais a terem também o próprio negócio.”

O desafio do seu negócio, segundo afirma, é sobressair, buscar conhecimento, trazer novidade para os clientes, seja em cortes, tratamento do cabelo e da pele, além de tinturas. Mais do que tudo isso, diz, para manter as portas abertas é preciso ser um bom profissional, amar o que faz, como ele.

Por Fátima Fernandes