Esse vestiu a camisa (e o boné)

Marca Da.V8 faz sucesso na periferia paulista e na Alemanha


Clayton Rodrigo dos Santos, 30 anos, o Ron, dono da marca de confecção e bonés Da. V8, chegou a ser taxado de louco pelos amigos quando disse que seu sonho era abrir uma loja, com uma marca criada por ele mesmo, na comunidade Erundina, zona Sul de São Paulo.

Inspirado nos bonés da marca DRR, sigla para Defensores do Ritmo de Rua, no logotipo do suco Del Valle, e na bola 8 dos jogos de sinuca, muito populares na comunidade, Ron começou a idealizar o que seria hoje a Da. V8 há 14 anos.

Primeiro, quis ter a certeza de que o produto, considerado um acessório, principalmente para os jovens, passaria no teste dos amigos e, depois, do público em geral.

Passou. Em 2005, vendia entre cinco e dez peças por mês para moradores da comunidade. Depois, viu que também os alemães, os italianos, os franceses e os argentinos ficavam fissurados com os seus bonés, em visita à comunidade. Em 2007, Ron já tinha encomenda para 30 bonés mensais, fora os pedidos que vinham de fora do Brasil.

Para conquistar os estrangeiros, sempre curiosíssimos para conhecer as tais favelas brasileiras, ele os convidava para um café na sua própria casa. E, aproveitava a ocasião, claro, para oferecer os bonés e falar dos planos para a marca.

Formado em Gestão em Logística e em Marketing pela UniÍtalo, o lojista finalmente teve, em 2007, a certeza de que a marca tinha sido aceita pelo público da comunidade e de fora. “Um grupo de jovens bateu na porta da minha casa por volta da meia noite. Levei um susto quando vi que eles queriam comprar os meus bonés”, afirma. O sonho de Ron começava, naquela noite, a se transformar em realidade.

A marca Da. V8 surgiu na casa de Ron, mais especificamente, na Viela número 8 da comunidade. Depois de conseguir um empréstimo de R$ 12 mil da Caixa Crescer, empresa que financia pequenos e micro empreendedores, conseguiu abrir uma loja em uma rua mais movimentada, próxima a sua casa. “Em um dia, tiramos o dinheiro do aluguel do mês”, diz. Além dos bonés, agora a Da. V8 comercializa também camisetas polo, a pedido de clientes que não usam bonés. Ron vende cerca de 150 bonés e entre 50 e 100 camisetas por mês. Os produtos também são exportados para Alemanha, Cuba e Argentina.

Em março do ano passado, o lojista decidiu entrar no e-commerce por meio do Facebook. Em agosto, para sua surpresa, o Face da marca já registrava cerca de 5 mil acessos por mês. Com a ajuda do Facebook, os produtos já são vendidos em São Paulo e Grande São Paulo. E, a entrega, promete o comerciante, é feita em até 24 horas. Em alguns casos, por ele mesmo, de motocicleta. “Gosto de ver pessoalmente quem está comprando a minha marca”, diz.

A meta de Ron para a Da. V8 agora é ter uma loja em cada uma das comunidades de São Paulo para fixá-la como uma marca da periferia, para o público de baixa renda. Os planos são também levar Da. V8 para a Argentina, com uma linha de toucas para o frio.

Para ele, o segredo para quem quer ter um negócio próprio é, primeiramente, estudar bem o mercado, escutar os amigos e ter a certeza de que o produto ofertado é exatamente o que o consumidor quer.

A ajuda dos especialistas do Sebrae, diz, é muito bem-vinda. Antes de lançar o e-commerce, especialistas apontaram erros e os acertos do site da marca. Em outubro, Ron termina de pagar o empréstimo do programa Caixa Crescer. Para então, como diz ele, dar novos saltos.

Por Fátima Fernandes